Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro

Orgão da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa

Arquivos para Abril 6th, 2008

A catedral das portas vermelhas

Publicado por ntmad em 6 04 2008

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro vai organizar em Maio próximo um passeio à nossa região e à Galiza.

Faz parte do mesmo uma estada em Chaves.

Com jantar no Faustino, é claro.

Por isso tratei, aproveitando as férias da Páscoa que normalmente passo na minha terra natal, de me deslocar à velha catedral da Travessa do Olival para verificar in loco se tudo estava na mesma.

E estava, exceptuando não ter visto o meu bom amigo Eduardo Faustino que por motivos de doença não ocupava o seu posto de trabalho. Mas em compensação, tive a oportunidade de estar com sua esposa, Dª Odete, que me explicou a falta do marido.

Falta justificada.

Estive, vai-não-vai, para lhe perguntar o que iria oferecer aos nossos associados que vão participar no passeio.

A resposta óbvia “coisas boas” inibiu-me de o fazer.

Para quem ainda não conhece “a maior secção de venda de vinho a retalho do país” (J.N.V. 1942), o Faustino, que vai a caminho dos 90 anos, tem passado de geração em geração (lembro-me de lá ver o pai e agora vi lá a neta e bisneto), sempre atento aos sinais dos tempos e vai mantendo o que é de manter e alterando o que é de alterar.

Foi assim que uma velha serralharia, com o seu travejamento muito peculiar, da autoria de mestre Vicente Costa, marceneiro de profissão, se transformou naquilo que hoje é.

Mantendo o seu chão em paralelepípedos de granito, mesas com bancos de madeira, tonéis de 20 mil litros, 15 metros de balcão de pedra e bons petiscos, mudou parcialmente o menu, enriquecendo-o com novas iguarias e albergou actividades tão distintas e afinal tão próximas da gastronomia, numa alquimia perfeita de linguiça, exposições de pintura, pica-pau, coxinhas de rã, representações teatrais, orelha, salpicão, moelas, fados, alheira, bolinhos de bacalhau, variedades, iscas de cebolada, arroz de tomate, cerimónias diversas, salada de bacalhau “feita à mão”, batata frita à velha maneira, leite-creme, arroz doce.

Chega?

A integração de novas ideias e de novos projectos não lhe desvirtuou a alma e para quem, como eu, já lá vai há umas dezenas de anos, é sempre com prazer que assisto a este milagre faustiniano: muda, muda, muda e afinal… fica na mesma. Como a gente gosta.

Bom. Sem querer influenciar o leitor, caso se desloque pela primeira vez a esta velha Taberna, e apenas a título de exemplo, eu pedi e deliciei-me com pão centeio, queijinho de meia cura e umas tirinhas de presunto regional, para ir fazendo boca ao tinto do lavrador. Depois de uma sopinha de cebola, foi-me servido meio bife de vitela barrosã, com os temperos no ponto, a saber a carne de pasto e acompanhado de salada mista.

Terminei com um pratinho de aletria com canela.

Que mais poderia pedir?

Creio que nada.

Se vivesse em Chaves estaria disposto a encabeçar uma manifestação a protestar contra o encerramento aos Domingos.

Como vivo em Lisboa…entendo perfeitamente que o pessoal tire um dia de descanso. Até porque bem o merece.

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Comunicado da Direcção sobre o Conselho Regional

Publicado por ntmad em 6 04 2008

A Direcção, após uma cuidadosa análise do trabalho desenvolvido pelo anterior Conselho Regional, considerou que aquele teve um desempenho globalmente positivo, pese embora ter-se constatado que apenas 16 dos 39 conselheiros participaram em 4 ou mais reuniões em 7 possíveis (excluindo a primeira e a última), e dois não participaram em qualquer reunião. Ao iniciar o processo de constituição do novo Conselho Regional verificou várias debilidades tanto na composição da massa associativa da Casa, que condicionam a composição do Conselho, como na distribuição dos anteriores conselheiros que criam alguns problemas à constituição deste órgão:

  • Ao analisar a constituição da massa associativa, a Direcção verifica que existe uma altíssima percentagem de associados sem vinculação a qualquer Concelho, o que impede a consideração de muitos deles para futuros Conselheiros Regionais.
  • Por outro lado, dos que declaram essa vinculação, existe uma fortíssima assimetria na distribuição dos sócios por Concelho, pois em 35 concelhos da região TMAD, tendo em conta só os que pagaram quotas desde 2005:
  • 10 Concelhos (Valpaços Chaves, Bragança, Vila Real, Mirandela, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Vimioso, Montalegre e Torre de Moncorvo) têm 66% do total;
  • 10 Concelhos (S. João da Pesqueira, Santa Marta de Penaguião, Tabuaço, Vila Nova de Foz Côa, Boticas, Mondim de Basto, Resende, Armamar, Mesão Frio, Penedono) têm menos de 10 sócios declarados;
  • Destes, 6 Concelhos [Resende (2 associados), Armamar (1), Mesão Frio (1), Penedono (1), Figueira de Castelo Rodrigo (0) e Meda (0)] não têm número de sócios suficiente para terem 3 conselheiros no Conselho Regional, e os dois últimos não podem ter mesmo qualquer conselheiro.
  • No que respeita aos conselheiros, dos 33 concelhos com sócios (dos 35 da região) foram empossados 39 conselheiros, num limite possível de 92 (o limite estatutário possível para estes Concelhos é de 99, e o absoluto, para todos os concelhos da região, é 105), mas:
  • De 8 concelhos (Armamar, Figueira de Castelo Rodrigo, Meda, Peso da Régua, Penedono, Sabrosa, S. João da Pesqueira, Tabuaço) não existem conselheiros;
  • Por via das eleições o número de conselheiros do extinto Conselho Regional que podem ser reconduzidos é de 33, visto 6 terem passado a fazer parte dos novos Corpos Gerentes, pelo que 2 concelhos (Boticas e Murça) ficaram sem conselheiros a reconduzir, num total de 10.

Com este enquadramento, a Direcção está empenhada em que os sócios que desejem acompanhar de perto a actividade da Casa o possam fazer naquela estrutura consultiva, nos limites impostos pelos Estatutos, sem prejuízo todavia de que todos os Conselheiros a nomear assumam o compromisso de nele participar assiduamente, num claro espírito de colaboração na prossecução dos objectivos que a Casa se propõe levar a cabo.

Assim ao abrigo do nº 1 do artigo 26º dos Estatutos da CTMAD a Direcção propõe-se reconduzir imediatamente os conselheiros que no anterior Conselho participaram em 4 ou mais reuniões em sete possíveis (da 2ª à 8ª), por se ter entendido poderem dar garantias mínimas de disponibilidade, desde que não pertençam aos actuais Corpos Gerentes, e façam chegar à Direcção até ao dia 21 de Abril a indicação de que estão disponíveis para garantir uma actividade regular e empenhada nos trabalhos do Conselho Regional. Se os reconduzidos aceitarem, estão já representados 13 Concelhos, com 13 conselheiros, havendo ainda muito trabalho a fazer para criar uma mais ampla representação.

Todos os anteriores conselheiros que não se encontrem na situação supracitada, serão considerados em igualdade com todos os outros sócios, mediante ponderação casuística da sua disponibilidade para o exercício do cargo.

A Direcção apela aos sócios da Casa para que se disponibilizem para serem conselheiros. Para que se possa ter uma Casa e um Conselho Regional pujantes, é necessário eliminar a assimetria de composição da massa associativa assinalada anteriormente, que tenhamos mais sócios, e que estes, por se orgulharem de pertencer a uma Associação com mais de cem anos de existência, procurem propor novos Conselheiros e trazer mais associados, e.g. os oriundos daqueles Concelhos em que é exíguo esse número, ou mesmo inexistente, e sobretudo mais receitas para que, unindo esforços, possamos levar a bom porto aquilo a que nos propusemos. Só assim será possível um reforço do Conselho Regional, com conselheiros oriundos de todos os Concelhos, até ao limite absoluto de 105 conselheiros.

CTMAD, Lisboa, 25 de Março de 2008

A Direcção

 

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A minha visão da nossa Casa

Publicado por ntmad em 6 04 2008

Ao escrever este artigo faço-o essencialmente como reflexão e intuito de homenagear todos os sócios que de alguma forma contribuíram para o engrandecimento da nossa casa durante a sua já longa história de mais de 100 anos ressalvando aqui e ali aspectos marcantes da sua história.

Nestes cerca de 34 anos, tempo em que tive a honra de estar ligado a ela quer como membro de várias comissões quer incluindo os seus corpos sociais, habituei-me a senti-la de forma apaixonada. As suas paredes foram de algum modo transmitindo ao longo destes anos a história de homens e mulheres de uma região esquecida pelas políticas de quem tem tido o privilégio de governar Portugal. A nossa Casa passou por diversos períodos, uns melhores outros menos bons pois as vivências dos tempos nem sempre foram ao encontro dos nossos desejos, com certeza por força das vicissitudes da própria sociedade em que se vivia e vive. É de salientar mesmo assim a sua importância em determinada época da sua história na cidade de Lisboa através da realização de diversas acções de cariz social.

Os congressos de Trás-os-Montes e Alto Douro por ela realizados a semana da nossa região no casino Estoril a organização de debates sobre os problemas da região debatidos dentro e fora da casa os encontros/festas com grupos da região a promoção dos seus produtos a criação da federação das casas de TMAD, (ainda que até á data não se tivesse obtido o resultado esperado) encontros com outras casa regionais que não da Região, as exposições de pintura, lançamento de livros de autores da nossa terra e o jornal são entre outros, marcos que têm deixado bem vincada a força de uma casa com mais de um século de existência.

Ainda que correndo o risco de poder ser injusto nesta minha análise, o que desde já me penitencio, gostaria de destacar alguns nomes que em minha opinião estiveram sempre disponíveis para ajudar a cimentar a importância da casa até aos nossos dias. É evidente que o mérito vai 1º para todos os que tiveram a feliz ideia de criar a casa 1º como Clube Transmontano depois como Grémio. Homens que no seguimento da história foram dando lugar a outros como Bento Roma, Cap. Álvaro Cepeda, (que tem tido no seu filho um grande continuador da sua obra na casa) Dr. João D’Almendra, Dr. Ferreira Deusdado, Joaquim Delgado, Dr. Montalvão Machado, Eng.º Eduardo António Carneiro o Sr. Comendador Francisco Barbosa, Prof. Adrião Lopes, General Altino de Magalhães, Dr. Daniel Justino dos Santos, Dr.Varejão Castelo Branco e Eng.º Tomás Rebelo Espírito Santo, entre outros. Nesta hora não posso esquecer também muitos sócios que através de diferente formas ajudaram a contribuir para o sucesso da casa. São estes sócios porventura menos visíveis que por eles tem também passado muito da vida da casa mas que na minha opinião têm sido de alguma forma esquecidos. Há que os trazer de volta.  

Apesar desse contributo, muito há ainda por realizar ela continua a precisar de todos nós para levar a bom porto a sua mensagem e para continuar e fortalecer essa mensagem é evidente que uma sede condigna é necessariamente prioritária não se compreendendo como é que ao longo dos anos a nossa influência nunca tivesse sido capaz de adquirir uma sede com outras dimensões de forma a discutir não só aos projectos da casa como até servir de apoio á própria região.

Acredito que esta direcção vai definitivamente resolver este problema que nos afecta há vários anos e a maior esperança é sem dúvida a nossa estimada sócia Dr.ª Ana Sara Brito que além de membro dos corpos sociais da casa é vereadora da Câmara de Lisboa, está bem por dentro das necessidades da casa e, sei fará todos os possíveis para resolver de uma vez por todas este malfadado problema.

Nesta hora, gostaria de ter uma palavra, para com os que deixaram de fazer parte dos corpos sociais desejando como é óbvio as maiores felicidades aos que ficam porque a meta é o futuro e o futuro passa por cimentar cada vez mais a importância da casa na área de Lisboa e na Região.

São eles o Modesto Navarro que na sua mensagem esteve sempre presente a importância da casa no contexto da grande Lisboa e ao mesmo tempo alertando para os problemas da região. Ao Dr. Serafim de Sousa que com a sua peculiar forma de ser, viveu a casa de uma maneira bem diferente contagiando todos com a sua dinâmica de trabalho e forma de comunicar, trazendo-nos momentos de alegria apesar das actas que teve que fazer durante estes últimos anos.

Ao Manuel Ferreira pelo sentido do trabalho associativo desenvolvido na casa.

Á Dr.ª Maria Virgínia pelo grande esforço que tentou imprimir á casa na actividade cultural.

Ao Dr. Duarte Guedes Vaz e sua equipa pelo grande trabalho desenvolvido em prol de um melhor Concelho Regional e pela constante preocupação com a casa e a região.

Á D. Dores por ter trazido o sentimento das nossas terras ao serviço da casa nomeadamente através da qualidade gastronómica ao grupo Maranús pelo contributo inexcedível de longo tempo para com a casa, ao antigo grupo de cantares da casa em particular ao Dr. Marcelo Brandão e aos membros que durante anos formaram a banda filarmónica da casa em particular ao Carlos Gomes Silveira.

Ao Dr. Abel Moutinho que podendo ser considerado algo excessivo em quês e porquês em relação a determinadas tomadas de posição, não deixa contudo de debater afincadamente a casa e de se preocupar com ela e com a região.

Ao Eng.º Machado Rodrigues e a importância do seu grande contributo através do terreno para a construção da sede. Ao Coronel Teófilo Bento e a preocupação de manter o elo dos sócios com a casa ao Dr. Fernando Sá e a constante preocupação com a questão financeira da casa, ao Eng.º Amilcar Morais pelo grande contributo na adaptação e organização da casa a nível informático.

Ao Sr. General Alípio Tomé Pinto por ter estado sempre com a casa durante estes anos todos e pelo apelo aos valores da nossa terra que sempre tentou chamar para a casa.

Por último ao Dr. Armando Jorge e Silva o homem que nos últimos anos mais me impressionou pela sua inteligência, dedicação á casa e disponibilidade em relação ao trabalho voluntário nela desenvolvido, á grande capacidade de trabalho e pela visão equilibrada e ponderada com que sempre viveu a casa. Do conhecimento que tenho da casa e do contacto que tive com inúmeros sócios que contribuíram para o bem estar dela durante estes 34 anos, não tenho dúvidas em reconhecer o Dr. Armando Jorge como um dos grandes homens que passaram por ela, a sua postura e o seu trasmontanismo de amor ás causas da casa e da região falam mais alto que as palavras, estes são os valores herdados da sua meninice e que perduram felizmente ainda até aos nossos tempos.

Ninguém tem dúvidas que a história é feita do passado valorizá-la depende de nós mas para isso é importante que saibamos adaptarmo-nos ao presente com o objectivo de atingir o futuro e, é pensando nele que a casa precisa forçosamente de ser renovar e organizar projectando-a para o exterior o mais depressa possível. Esse futuro deve passar essencialmente por uma maior visibilidade junto da Comunicação Social, autarquias da nossa região e da Câmara de Lisboa de forma a inseri-la nas actividades da própria cidade. Somos cerca de 350 mil não podemos continuar a funcionar só para um número cerca de 1000 pessoas. Os debates concelhios, o jornal, o restaurante, a actividade cultural e musical nomeadamente a resolução do contencioso com o grupo de Lhíngua Mirandesa são primordiais para o bom funcionamento da casa.

Á nova direcção desejo as maiores felicidades ao novo Presidente Prof. Jorge Valadares assim como ao Sr. Dr. Guilhermino Pires que como homem da casa e seu grande conhecedor estou certo, irão dar seguimento ao trabalho desenvolvido pela anterior direcção de forma a dar os frutos que todos desejamos, ou seja a conclusão da eterna nova sede trazendo-nos definitivamente a felicidade que nos tem faltado há tempo demais. Vamos ter esperança e apoiar a casa de forma a contribuirmos para a sua continuidade no tempo.

Um abraço a todos os sócios.

 Viva a nossa Casa ! Viva a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro !

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