Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro

Orgão da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa

Arquivos para Fevereiro 1st, 2009

Conhece Vimioso ?

Publicado por ntmad em 1 02 2009

por Fernando Lopes Barreira

Fui solicitado pelo Presidente da Direcção da nossa Casa, o Prof. Jorge Valadares, para representar a minha Terra, o meu Concelho de Vimioso, na orgânica da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

Aceitei de imediato, na esperança de, a pouco e pouco e adentro deste contexto transmontano, poder divulgar as belezas naturais, os costumes, as tradições de Vimioso e dos Vimiosenses espalhados pelos quatro cantos do mundo em que se inserem.

Não é, pois, tarefa fácil pelo pouco tempo disponível. Porém, o bairrismo dos Vimiosenses e as empenhadas ajudas de uns e outros amigos da nossa terra que connosco queiram colaborar, irão contribuir para podermos colocar a nossa Vila nos roteiros turísticos.

Nasci em Vimioso e, há quase meio século, vivo e trabalho em Lisboa.

Porém, nunca perdi os “laços” à minha terra, onde me desloco quase uma vez por mês.

Os dois ou três dias que ali passo em cada mês, fornecem-me as energias necessárias para retomar no quotidiano a minha actividade profissional.

Estranho e pouco comum, enfim, paradoxal, é conhecer muitas pessoas que nas suas férias rumam ao Brasil e outros países da América do Sul e da Europa e até da África, mas não conhecem Trás-os-Montes e a beleza das suas paisagens.

Vimioso situa-se na fronteira com Espanha, próximo de vilas e aldeias portuguesas que reúnem em si belezas naturais absolutamente paradisíacas.

Principalmente os romanos e os fenícios deixaram-nos um património ímpar e rico que se vai desenvolvendo pela fronteira, abrangendo ali bem próximo as cidades de Bragança, Mirando do Douro, Zamora e Salamanca.

A caça, hoje mais escassa que no passado, continua a ser ainda um grande atractivo para os caçadores, apoiada por coutadas que se espalham pela região.

O artesanato, cada vez mais interessante e atractivo, merece o estudo e o interesse dos nossos visitantes pela sua variedade, qualidade e especificidade.

O barro, a madeira, o couro, o vime, o aço e o cobre são as matérias-primas privilegiadas que os artífices locais transformam em peças maravilhosas e artísticas.

Os passeios pedestres pelas ravinas, montes e vales coloridos pelo multicolor da natureza, onde imperam as imensas variedades dos verdes, dos castanhos e dos cinzentos, enquadram a monumentalidade dos pequenos castelos, castros e atalaias, das pontes romanas e dos templos dos quais os romanos e góticos foram seus exímios arquitectos e construtores.

Refiro agora a gastronomia transmontana, cuja base é o porco e a carne de vitela, que denominamos por “Mamona”, de tão tenra parece amanteigada.

Do porco e da caça se fazem as célebres alheiras, os salpicões, os chouriços e os butelos, que são localmente fabricados em regime industrial e artesanal e que fazem as delícias dos bons “garfos”, apreciadores da boa comida.

Vimioso está hoje bem apetrechada por modernas infra estruturas hoteleiras que nos fazem sentir o verdadeiro sabor da terra, ecológico e delicioso.

Saber receber é das mais doces e espontâneas características da cultura transmontana. “Entre por bem, que a nossa mesa está sempre posta”.

Em próximos números iremos detalhar esta pequena introdução à minha terra, que nos levará a concluir que Vimioso vale a pena.

 

Publicado em A Nossa Gente, A Nossa Terra | 1 Comentário »

Tomada de posse do Conselho Regional

Publicado por ntmad em 1 02 2009

Decorreu no passado dia 11 de Dezembro, a tomada de posse do CR – Conselho Regional.

O salão nobre da Casa foi pequeno para acolher os que a ela se deslocaram para participar ou assistir ao solene acto.

Nos termos estatutários, presidiu ao acto e deu posse aos respectivos conselheiros, o presidente da Assembleia-geral da CTMAD, Prof. Guilhermino Pires coadjuvado pelos vice-presidente e secretária da Mesa, respectivamente Drs. Artur do Couto e Anabela Martins.

Iniciaram-se os trabalhos com palavras proferidas pelos referidos presidente e vice-presidente e ainda pelo presidente da Direcção Prof. Jorge Valadares. Todos eles chamaram a atenção para a importância de que este órgão da CTMAD se reveste, nomeadamente enquanto órgão consultivo da Direcção e fórum interlocutor da Casa com os 35 concelhos que a compõem.

Após os formalismos da tomada de posse, seguiu-se a primeira reunião do CR para eleição da Mesa que há-de dirigir as suas reuniões. Foram eleitos, por largo consenso dos presentes, como presidente, Dr. Duarte Guedes Vaz, de Santa Marta de Penaguião, como vice-presidente, Dr. Serafim de Sousa, de Vila Real e como secretário, José Teixeira Castro, de Chaves.

No final da primeira reunião do CR, seguiu-se um jantar/convívio com representantes dos outros órgãos sociais da CTMAD.

À margem da notícia:

Lamentavelmente, nem todos os concelhos trasmontano/altodurienses se fazem representar no CR.

Esta Direcção não se tem poupado a esforços para atrair associados para o Conselho, contactando inclusivamente os municípios respectivos para que sugerissem elementos que pudessem integrar o CR. Alguns desses contactos deram frutos, outros foram disponibilidades espontâneas de associados, outros ainda resultaram de desafios lançados pela Direcção a outros associados.

Mesmo assim existem municípios que não estão representados no CR. De acordo com o regulamento deste órgão, o número ideal de representantes concelhios deve ser três.

Destacando pela positiva os concelhos que estão plenamente representados, teremos de nos referir a Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Vila Real.

Quatro concelhos têm dois representantes, doze são representados por um conselheiro e quinze concelhos não se fazem, ainda, representar no CR.

Foi esta a tónica posta nas intervenções atrás referidas, devendo os conselheiros recém empossados bem como a Direcção da Casa, continuar a demanda na procura de mais elementos para este órgão, enriquecendo-o em qualidade e quantidade.

Fica o apelo.

Publicado em A Nossa Casa | Tagged: | Leave a Comment »

“Grande Cancioneiro do Alto Douro” vol. II

Publicado por ntmad em 1 02 2009

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa promoveu na Sede, em 13 de Dezembro último, a apresentação multimédia do segundo volume do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO*, do associado Altino Moreira Cardoso, violinista do antigo Grupo de Cantares da Casa. Além de muitas e variadas músicas tradicionais, foram projectadas belas fotos do Douro e importantes dados histórico-literários.

Às cantigas da Vinha do primeiro volume juntam-se agora músicas instrumentais de Tuna, de Natal, de Reis, de Embalar, Rimances (a maior parte medievais), cantigas do Trabalho, Religiosas, Desgarradas (cantigas ao desafio).

Trata-se de um projecto apaixonante, erguido em largos anos, com cerca de 1150 músicas, letras e um grande estudo histórico-literário, em 3 grossos volumes, cada um com 640 páginas.

Do Volume III, a sair brevemente, constará uma análise histórico e literária dos poemas mais valiosos das nossas cantigas, nomeadamente o enquadramento dos vestígios das Cantigas Populares de Amigo medievais nas circunstâncias históricas que, quase providencialmente, ligaram a fundação de Portugal ao Conde D. Henrique (natural da Borgonha e primo de São Bernardo, o implantador de Cister no vale do Varosa e depois em Alcobaça)  e a Egas Moniz, senhor destas terras, em cuja Casa, em Britiande (Lamego), foi criado D. Afonso Henriques (órfão aos 3 anos) e seu filho D. Sancho I.

Acresce ainda que nessa mesma altura foi erigida a Catedral de Santiago de Compostela, cuja força militar está sobejamente documentada na ajuda a Portugal e, culturalmente, na difusão das belíssimas Cantigas do galego-português estudadas nas nossas Escolas – que ainda hoje mantêm vestígios flagrantes de continuidade em muitas letras das nossas cantigas populares, como este Grande Cancioneiro demonstra de modo muito claro.

A presença da Borgonha significa que as melhores castas, tecnologias vitivinícolas e organização empresarial (‘boa cepa’, a Borgonha) vieram com S Bernardo e a Ordem de Cister para o Douro de Egas Moniz, já desde o século XII.

Os ‘vinhos de Lamego’ precederam a saga dos ‘vinhos do Porto’, antes da demarcação da Região, logo que a excelente e abundante produção do vale do Varosa começou a ser comercializada e exportada, através da barra do Douro. Centenas ou milhares de pipas, ainda na Idade Média.

Torna-se evidente que os mosteiros e empresas cistercienses do eixo Lamego-Tarouca assumem um estatuto cultural, económico e patriótico ímpar na História, na Economia, na Gestão do novo Reino e na Cultura de Portugal.

Ainda hoje o espumante Murganheira conserva no seu logotipo a nobre Flor-de-lis do Conde D. Henrique e dos Duques de Borgonha e Reis de França.

Na nossa Terra existe uma Cultura de grande profundidade histórica, em todos os aspectos da actividade humana; e o nosso Douro não é só o vinho, das vinhas saibradas pelos galegos, mas também as suas e nossas belas e milenares cantigas tradicionais.

Divulgar o que é nosso é um Dever de pessoas de cultura e comunicação.

 __________________________________________________
*Edições Amadora-Sintra

Publicado em Livros | Tagged: , , | Leave a Comment »