por Fernando Lopes Barreira
Fui solicitado pelo Presidente da Direcção da nossa Casa, o Prof. Jorge Valadares, para representar a minha Terra, o meu Concelho de Vimioso, na orgânica da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Aceitei de imediato, na esperança de, a pouco e pouco e adentro deste contexto transmontano, poder divulgar as belezas naturais, os costumes, as tradições de Vimioso e dos Vimiosenses espalhados pelos quatro cantos do mundo em que se inserem.
Não é, pois, tarefa fácil pelo pouco tempo disponível. Porém, o bairrismo dos Vimiosenses e as empenhadas ajudas de uns e outros amigos da nossa terra que connosco queiram colaborar, irão contribuir para podermos colocar a nossa Vila nos roteiros turísticos.
Nasci em Vimioso e, há quase meio século, vivo e trabalho em Lisboa.
Porém, nunca perdi os “laços” à minha terra, onde me desloco quase uma vez por mês.
Os dois ou três dias que ali passo em cada mês, fornecem-me as energias necessárias para retomar no quotidiano a minha actividade profissional.
Estranho e pouco comum, enfim, paradoxal, é conhecer muitas pessoas que nas suas férias rumam ao Brasil e outros países da América do Sul e da Europa e até da África, mas não conhecem Trás-os-Montes e a beleza das suas paisagens.
Vimioso situa-se na fronteira com Espanha, próximo de vilas e aldeias portuguesas que reúnem em si belezas naturais absolutamente paradisíacas.
Principalmente os romanos e os fenícios deixaram-nos um património ímpar e rico que se vai desenvolvendo pela fronteira, abrangendo ali bem próximo as cidades de Bragança, Mirando do Douro, Zamora e Salamanca.
A caça, hoje mais escassa que no passado, continua a ser ainda um grande atractivo para os caçadores, apoiada por coutadas que se espalham pela região.
O artesanato, cada vez mais interessante e atractivo, merece o estudo e o interesse dos nossos visitantes pela sua variedade, qualidade e especificidade.
O barro, a madeira, o couro, o vime, o aço e o cobre são as matérias-primas privilegiadas que os artífices locais transformam em peças maravilhosas e artísticas.
Os passeios pedestres pelas ravinas, montes e vales coloridos pelo multicolor da natureza, onde imperam as imensas variedades dos verdes, dos castanhos e dos cinzentos, enquadram a monumentalidade dos pequenos castelos, castros e atalaias, das pontes romanas e dos templos dos quais os romanos e góticos foram seus exímios arquitectos e construtores.
Refiro agora a gastronomia transmontana, cuja base é o porco e a carne de vitela, que denominamos por “Mamona”, de tão tenra parece amanteigada.
Do porco e da caça se fazem as célebres alheiras, os salpicões, os chouriços e os butelos, que são localmente fabricados em regime industrial e artesanal e que fazem as delícias dos bons “garfos”, apreciadores da boa comida.
Vimioso está hoje bem apetrechada por modernas infra estruturas hoteleiras que nos fazem sentir o verdadeiro sabor da terra, ecológico e delicioso.
Saber receber é das mais doces e espontâneas características da cultura transmontana. “Entre por bem, que a nossa mesa está sempre posta”.
Em próximos números iremos detalhar esta pequena introdução à minha terra, que nos levará a concluir que Vimioso vale a pena.















A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa promoveu na Sede, em 13 de Dezembro último, a apresentação multimédia do segundo volume do GRANDE CANCIONEIRO DO ALTO DOURO*, do associado Altino Moreira Cardoso, violinista do antigo Grupo de Cantares da Casa. Além de muitas e variadas músicas tradicionais, foram projectadas belas fotos do Douro e importantes dados histórico-literários.