Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro

Orgão da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa

Archive for Setembro, 2007

EDITORIAL DE SETEMBRO

Posted by ntmad em 18 09 2007

Caros Amigos e Associados!

Após as boas e merecidas férias, aqui estamos de novo, de regresso à vida da Casa, para dizer a todos em geral e aos mais dedicados em particular que a vida da Casa não está fácil e, em jeito de triste desabafo, diremos que, desde há seis anos, esta é a pior crise, o mais pobre momento que enfrentamos.
Os associados, como repetidamente temos avisado, esquecem-se da Casa, não pagam as quotas e muito menos aparecem.
Querem que lancemos mãos do depósito a prazo para suportar as despesas correntes?

Amigos e associados, a propósito da crise, dou-vos um só exemplo: durante o mês de Agosto, não houve meios para pagar ao nosso funcionário e, apesar disso, não deixou ele, em colaboração com alguns membros da Direcção, de assegurar o funcionamento da Casa.

Só os associados poderão por termo a esta situação.

Mas, se esta é uma forma de reagir contra a actual Direcção e se pensam que esta é a atitude correcta, reconhecerão, com facilidade, que quem fica prejudicada é a Casa pelo que, bom era que os relapsos reflectissem um pouco sobre este assunto e digam, de uma vez por todas, se devemos ou não manter a Nossa Casa Trasmontanoduriense a fim de não nos obrigarem a incomodá-los e a tomar as providencias que cada caso em particular reclamar.

Aproxima-se a festa de aniversário da Casa, repartida por três dias e, como do programa se alcança, ele está marcado pela contenção da despesa.
O local escolhido não é o mais central nem será o melhor mas é, seguramente, aquele que menos custos importa e, em tempos de grandes dificuldades e escassez de meios que atravessamos, há que aproveitar a generosidade de um grupo de associados que conseguiu o espaço e gratuitamente executarão o jantar com noite de fados e de agradecer a amabilidade da Junta de Freguesia de Marvila.

A decisão sobre o local e o programa gizado obedecem ao desejo de a Casa homenagear a grande colónia de trasmontanodurienses ali residentes, porventura dos mais esquecidos da fortuna, mas dos mais disponíveis e generosos para com a Casa.
E, desta forma, honrando-os com a nossa presença, estamos também a prestar-lhes a nossa solidariedade e a agradecer-lhes os prontos contributos na execução das festas da Casa.
E, como todos sabem, esta Casa tem muita gente que pensa e, por vezes, muito bem, mas tem muita pouca gente que execute e menos ainda quem a apoie.
Por isso amigos e associados vamos todos aparecer massivamente na festa de aniversário da Casa, degustar uma boa posta de vitela da nossa Terra, a um preço de certo modo simbólico, cuja receita reverterá para as despesas correntes da Casa.

Por isso, em face da necessidade de superar a grande crise, ante o imperioso desejo/ necessidade de fortalecer o espírito trasmontanoduriense, perante a homenagem e agradecimento ao grupo de trasmontanodurienses do bairro do Condado e dos demais bairros da freguesia de Marvila, esqueçamos as dificuldades/contrariedades do local e do momento ou até alguns preconceitos e vamos todos estar presentes na festa do aniversário da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.

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SINTESE NOTICIOSA DE SETEMBRO

Posted by ntmad em 18 09 2007

A A24 COLUNA VERTEBRAL PARA O DESENVOLVIMENTO TRANSMONTANO
Talvez a classificação de “dia histórico” possa parecer desmesurada, mas a verdade é que o dia 24 de Junho foi muito importante para todo o interior norte, para a região transmontana e, sobretudo, para o distrito de Vila Real. Com efeito, o Primeiro Ministro de Portugal, Eng. José Sócrates, ele próprio de naturalidade transmontana, acompanhado de representativa comitiva governamental, inaugurou, em Vila Pouca de Aguiar, o último troço da auto-estrada A24. Esta via, que para já liga a cidade de Viseu à Espanha, na fronteira de Vila Verde da Raia/Chaves, passa a constituir a verdadeira coluna vertebral rodoviária do distrito de Vila Real. Certamente que a excelência desta via irá atrair investimentos à Região extraindo dela e colocando nela reais valias que a situarão no plano do desenvolvimento que todos nós transmontanos desejamos. A A24, com uma extensão de 155 Km entre Viseu e Chaves (fronteira), é parte integrante do traçado IP3, projectado para ligar a cidade da Figueira da Foz à Galiza (Espanha).A A7 LIGA-SE À A24
Um mês depois, a 28 de Julho, com a conclusão dos 5,3 quilómetros finais da A7, foi estabelecida, em Vila Pouca de Aguiar, a ligação da auto-estrada nº7 à A24, sendo agora possível partir de Vila do Conde, no litoral, e, sempre em auto-estrada, chegar a Chaves, bem no interior, seguindo para Espanha e toda a Europa. A nossa região, sobretudo o distrito de Vila Real, está, finalmente, a ser dotado das acessibilidades de que sempre necessitou e reclamou para cortar o isolamento que a geografia e o desinteresse humano lhe ditaram durante séculos, havendo agora fundadas razões para vê-la dar o salto qualitativo no plano do desenvolvimento e da modernidade.

AQUANATTUR,UM PROJECTO TERMAL DE 48 MILHÕES DE EUROS PARA VIDAGO E PEDRAS SALGADAS.
A Unicer, proprietária da exploração das águas minerais do Vidago e Pedras Salgadas, decidiu investir na renovação dos Parques Termais, fazendo deles um pólo de elevado potencial económico industrial e turístico. A renovação passa pela recuperação do Grande Hotel Palace, do Vidago, pela construção de um SPA, nas Pedras Salgadas, pela conversão dos dois parques e ainda pela criação de infra-estruturas industriais capazes de rentabilizar no mercado interno e externo as marcas das águas Vidago e Pedras. O projecto de recuperação, apresentado ao público, em Junho é da responsabilidade do arquitecto Siza Vieira e a execução das obras foi atribuída à empresa Empreiteiros Casais.

RAÇA ASININA MIRANDESA
Há nas terras nordestinas transmontanas, sobretudo a norte do concelho de Miranda do Douro, uma raça de burros dotada de um conjunto uniforme de características que a tornam única e, como tal, classificada de património genético a preservar. Os burros desta raça apresentam as seguintes características morfológicas: Mais ou menos um metro e trinta de altura, corpulentos, de pelugem castanha escura, mais clara nos costados, branca no focinho e contorno dos olhos, pêlo comprido e abundante na face, nos costados, bordos das orelhas e extremidades das pernas, crinas abundantes, cabeça volumosa, fronte larga, franja sobre a fronte, arcadas orbitárias salientes, lábios grossos e fortes, orelhas grandes e largas na base com abundante pilosidade, arredondadas na ponta e dirigidas para a frente, olhos pequenos, pescoço curto e grosso, dorso curto tendendo para a horizontalidade, peitoral amplo com quilha saliente, ventre volumoso, membros grossos com pêlo abundante cobrindo os cascos, cascos amplos, grande amplitude no andamento, mas lento. Rústicos, sóbrios, longevos e polivalentes, estes simpáticos burros são valentes, dóceis, pacientes, sofredores, resistentes à seca e satisfazem-se com forragens pobres. Úteis como animais de sela, serviram e servem nos trabalhos agrícolas e nos transportes. Por isso foram sempre companheiros do homem. Por razões diversas, que todos podemos descobrir, estes simpáticos e úteis animais correm o perigo de extinção. Para evitá-la foi criada a AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino). Fundada em Junho de 2002, tem desempenhado um excelente trabalho não só nas campanhas de estudo, sensibilização e preservação destes animais genuínos, mas também na sua divulgação e novas utilizações como em determinadas terapias e passeios turísticos pela região. A Associação também apadrinhou a ideia de promover a adopção destes simpáticos e úteis animais.
Já se imaginou “dono por adopção” de um destes simpáticos burricos ? Contacte AEPGA por Tel. 273 739 307, Tlm. 914 093 724, Av. da Escola Preparatória, apartado 10, C.P.5225-909 SENDIM, Informe-se http://www.aepga.pt/.
Nota : Estes dados técnicos, entre outros de real valor, foram-nos fornecidos, com muita amabilidade e interesse, pelo Senhor Dr. Abreu Lopes, Ilustre Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, a quem agradecemos.

ESCOLA SECUNDÁRIA ABADE DE BAÇAL ELEGE AS 7 MARAVILHAS DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Num concurso interno “on-line”, professores e alunos desta escola bragançana, durante cinco meses votaram à escolha em 21 obras salientes da região transmontana e, no dia 7 de Julho, em festa apropriada, deram a conhecer o resultado da votação.
Eis as 7 maravilhas eleitas: 1- Domus Municipalis, em Bragança; 2- Castelo de Bragança; 3- Santuário do Santo Cristo, em Outeiro/Bragança; 4- Palácio dos Távoras, em Mirandela; 5- Igreja dos Clérigos, em Vila Real; 6- Palácio de Mateus, em Vila Real; 7- Conjunto da Barragem do Picote, em Miranda do Douro. Uma iniciativa interessante que, a brincar, divulgou cultura e saber.

MIRANDELA NO CAMINHO DA ATRACÇÃO E DESENVOLVIMENTO
A linda cidade do Tua não pára de se alindar, desenvolver e dar a conhecer. Ao longo do ano são muitas e variadas as iniciativas promocionais, mas na época do Verão os eventos de qualidade e projecção multiplicam-se. Repare-se: As tradicionais festas da Senhora do Amparo, (Agosto) cartaz indispensável no panorama religioso e popular de toda a Região que, na continuidade de sempre, se tornam cada ano mais bonitas e famosas; a VIII Mostra dos Produtos Regionais, (14/22 de Julho) grande montra de produtos comercializáveis anunciando múltiplos sabores apetecíveis; Campeonato Nacional e Campeonato Europeu de Jetski (Julho) espalhando nas águas brilhantes do espelho do rio Tua o colorido, o frenesim, a emoção; e, caso único no País, a festa da Geografia, (14/22 de Julho) uma iniciativa cultural e económica, que reuniu muitos prestigiados académicos nacionais e estrangeiros para discutirem problemas inscritos no âmbito da geografia física, política, humana e económica.
Situada no rio Tua, junto ao jardim Dr. José Gama, nasceu uma nova praia fluvial, com água de qualidade certificada, com 3 mil metros quadrados de areal, dotada de infra-estruturas sanitárias balneários e de exigentes condições de segurança. Turistas e residentes encontram assim mais um espaço de lazer e frescura para atenuar os “três meses de inferno” da Terra Quente, que a tradição, só por força da tradição, continua a proclamar. Mirandela é uma terra linda para se visitar e admirar. Experimente e verá.

AGOSTO, MÊS DAS FESTAS E DO REENCONTRO
São cada vez mais os transmontanodurienses espalhados pelo país e pelo mundo. Apesar das visíveis e inquestionáveis melhorias materiais operadas nas nossas terras, que só por si são razões de atracção, a verdade é que os transmontanos continuam a sair e procurar fora o que ainda não conseguem obter dentro. Migram e emigram. Mas voltam sempre. Para rever campos, velhos caminhos, cantinhos de brincadeira escondidos na sinuosidade de ruas empedradas, a fonte de mergulho, as casas feitas de xisto ou granito. Voltam de coração alvoroçado e alegria nos olhos para se banharem no ribeiro do seu povo ou do povo vizinho, para rezar na igreja onde foram baptizados e, porventura, casaram, para colocar uma flor singela sobre a campa dos antepassados cuja memória repousa infinda no acanhado cemitério de muros brancos lá da aldeia. Ah, como é bom regressar, mesmo tendo a certeza da necessidade de voltar a partir. E o mês de Agosto, o mês das férias, é o mais propício para libertação do corpo e do espírito, porque é também o mês das festas.
E as festas, cheias de gente, de cá e de fora, encheram este Agosto transmontano.. Fizeram-se notícia principal. De sucesso. Não só as festas grandes, as grandes e tradicionais romarias que desde longas eras levam milhares de forasteiros a Lamego, à Régua, a Bragança, a Vila Flor/Vilas Boas, a Mirandela, a Valpaços, a Boticas, a Mondim etc., mas também as simpáticas, familiares e coloridas pequenas festas que encheram de risos misturados com música e foguetes, os pequenos lugares. Sabemos de festas rijas em Mogadouro, Carção, Salsas, Rabal, Urrós, Sendim, Vilarelhos, Santulhão, Moncorvo, Torre D.Chama, Vinhais, Mouçós, Vilarandelo, Montalegre

MIRANDA DO DOURO RECUPERA RIO
Fresno é o nome do rio que passa em Miranda do Douro. Era um pobre rio com pouca ou nenhuma água, invadido pelo mato selvagem, vazadouro de trapos e cangalhos, uma vergonha ali, ao lado de uma terra linda com 462 anos de cidade e muitos mais de povoação de gente orgulhosa e rija. Por isso mesmo a Câmara, numa visão progressista e dignidade, decidiu alterar a situação e transformar o foco de poluição que era o Fresno, num lugar de lazer e pulmão purificador. Após três anos de trabalhos, com muitas e avultadas despesas, recuperou-se o rio e as margens, arranjaram-se equipamentos, fez-se um Parque Urbano, no qual apetece andar e ficar. Bom para o aspecto da cidade, bom para os residentes, bom para os turistas. Parabéns, Miranda, vocês aí, bem no Nordeste, merecem.

A BARRAGEM DO SABOR VAI AVANÇAR
A Comissão Europeia finalmente decidiu. Deu luz verde ao Governo Português para avançar com a construção da Barragem do Sabor, se assim o entender. Recorde-se que a construção desta barragem havia sido uma promessa feita à região pelo Governo Socialista quando suspendeu a Barragem do Vale do Côa por causa das pinturas rupestres paleolíticas ali encontradas. A determinado momento, o projecto da barragem passou a ser alvo de contestação por parte das associações ambientalistas que junto da União Europeia argumentaram com razões sérias. O problema arrastou-se durante anos até à decisão recentemente tomada. A barragem irá concorrer para regularizar o caudal do rio Douro e dará forte contributo à produção de energia hidroeléctrica. Vão ser investidas algumas centenas de milhões de euros no empreendimento e serão criados, nesta primeira fase, mais de mil postos de trabalho. Falta saber quais os benefícios futuros que dela resultarão para a região e quanto pesarão na melhoria de vida das populações locais. Uma e outras têm direitos que devem ser teimosamente regateados até à parcela ínfima, numa exemplar união de esforços, por todos aqueles que, para o efeito, estão mandatados pela legitimidade do voto.

A PONTE INTERNACIONAL DE QUINTANILHA ESTÁ PRONTA
Esta ponte internacional, construída de comum acordo por Portugal e Espanha, que dá continuidade ao IP4 e liga o nosso país ao país vizinho na antiga fronteira de Quintanilha, concelho de Bragança, está praticamente concluída, faltando-lhe apenas a colocação do tapete betuminoso. No entanto, devido ao atraso das obras no sector espanhol, só deverá abrir ao trânsito no final do ano.

A ALMA E A GENTE EM SABROSA
O Dr. José Hermano Saraiva, historiador muito popular pelos excelentes programas televisivos que tem criado, andou por terras de Sabrosa a recolher elementos e fazer filmagens destinados a um programa a integrar na série “A Alma e a Gente”. Dizem-nos que ele andava fascinado com a simpatia das gentes e com as belezas paisagísticas da região, cognominando Sabrosa de a “Sintra do Douro”. Se a programação for respeitada, esta mostra de Sabrosa será transmitida no canal 2 da RTP, no dia 9 de Setembro, pelas 21H30 horas. Obrigatório ver.

TEMPESTADE DE GRANIZO FUSTIGA TRÁS-OS-MONTES
Nos últimos dias de Agosto (25/26) fortes trovoadas acompanhadas de granizo de inusitadas proporções caíram sobre algumas partes da região transmontana provocando danos consideráveis nas vinhas, pomares, nos telhados e nos automóveis. Os concelhos mais atingidos foram os de Vila Flor, sobretudo as povoações de Arcos, Samões e Seixo de Manhoses, Mirandela e Valpaços, nomeadamente na vila de Carrazedo de Montenegro. O Ministério da Agricultura, apesar de proceder ao levantamento dos prejuízos, não mostra disponibilidade para ajudar os agricultores a suportá-los.

DIA 12 DE AGOSTO DE 1907
Este dia está inscrito no calendário como um dos mais relevantes da história de Trás-os-Montes e Alto Douro. Com efeito, na aldeia (hoje vila) de S. Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa, nasceu uma criança que foi baptizada com o nome de Adolfo Correia da Rocha e viria a tornar-se num dos poetas e escritores maiores da língua portuguesa com o pseudónimo Miguel Torga. Viajante de muitas terras, comungante de várias culturas ficou sempre arreigado ao chão natal, cuja alma sentiu e descreveu como ninguém. Por isso, ele é o Grande Transmontanoduriense.
Este ano, em diversos locais, com várias iniciativas e programas, tem sido comemorado o 1º Centenário do seu nascimento. Para sua memória e glória.
A divulgação da profundidade da alma expressa no vinco de cada ruga pintada pelo seu conterrâneo Jorge Marinho são o preito da nossa admiração e homenagem.

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COMEMORAÇÕES DO 102º ANIVERSÁRIO DA CTMAD

Posted by ntmad em 15 09 2007

AGRACIAMENTO AOS ASSOCIADOS MAIS ANTIGOSComo consta do programa das festas comemorativas do nosso 102º aniversário, voltamos a nele incluir a devida homenagem aos associados mais antigos. Bem pretendíamos que tal homenagem fosse grandiloquente mas os meios são escassos e, por isso, a respectiva cerimónia, embora desejavelmente nobre, elevada e sublime, reduzir-se-á à simples entrega de uma lembrança, ao menos para que este gesto, de futuro, não morra e a vontade de o realizar não esmoreça.

Diz-se, correntemente, na vida militar que a antiguidade é um posto, fazendo-se dela uma hierarquia praticada, mais do que consentida, geradora duma estratificação do respeito pelo superior, este entendido como fonte de conhecimento e de experiência. Pois bem, se transpusermos para o seio da nossa associação regionalista este conceito, teremos que dos homenageados retirar uma lição de vida que é a de nos dedicarmos a valores e deles fazer a nossa conduta. Dedicação persistente, generosidade desinteressada, amor perene ao torrão natal, são atributos destes nossos sócios mais antigos e, desse modo, merecedores do nosso respeito e gratidão como membros mais qualificados numa escala de valores associativos.

A Direcção da CTMAD, para além do agraciamento aos 2 associados que completaram no corrente ano 50 anos de vida associativa, decidiu, nesta fase ainda transitória de reconhecimento, homenagear os associados que perfizeram, até ao momento, mais de 27 anos de ininterrupta dedicação e fidelidade à nossa centenária casa regional, permitindo assim, este avultado número de sócios a distinguir que, a partir do próximo ano, seja já possível homenagear apenas os associados que anualmente perfaçam 25 anos como sócios da CTMAD.

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Lançamento do livro "À PROCURA DE ALGO"

Posted by ntmad em 15 09 2007

Teve lugar no passado dia 31 de Maio, pelas 19.00h, na Sede da CTMAD, a cerimónia de lançamento do livro “À Procura de Algo” da autoria de Maria de Fátima Morais Felgueiras e de Abel Luís Fontoura Moutinho.
O Dr. Serafim de Sousa abriu a sessão, saudando todos os presentes em nome da Direcção da CTMAD e congratulando-se por esta feliz iniciativa de um dos nossos mais dedicados associados.
Para apresentar o livro falou, em seguida, o Dr. Altino Cardoso, para o efeito convidado pelo Autor. Depois de se afirmar suspeito na missão que assumira pela profunda amizade que o une, há longos anos, ao Dr. Abel Moutinho, começou por traçar um breve perfil biográfico do Autor salientando a sua passagem pela RTP, instituição a que ele muito se dedicou no desempenho das funções de psicólogo.
Agora já liberto de tais absorventes actividades, o Dr. Altino Cardoso exprimiu a sua satisfação por ver o amigo enveredar pelo campo da escrita, elogiando, não só, ele, como também, a co-autora pela visão intimista da vida aldeã que tão bem nos é transmitida por esta singular obra. O apresentador deteve-se, também, no fenómeno da emigração que tão causticamente afectou o interior Norte de Portugal na 2ª metade do Século XX, chamando a atenção para a forma como o livro a descreve, uma luta contra o atavismo, uma batalha que, antes do mais, foi individual mas que acabou por ser mais uma gesta, das muitas a que os transmontanos emprestaram a sua aura.
O Dr. Abel Moutinho, falando em seu nome e no da co-autora, esta impossibilitada de estar presente, agradeceu à assistência o carinho demonstrado e evocou em sentidas palavras o modo como a obra havia nascido. Terminou com palavras amigas endereçadas, quer ao Dr. Altino Cardoso pelo trabalho por ele desenvolvido na paginação e composição final do texto, quer ao editor, “GITIC, Tradução, interpretação e congressos, L. da”.
A CTMAD endereça ao Autor as suas melhores felicitações e regozija-se pelo facto de ter sido escolhida como palco de divulgação de tão genuína obra transmontana.

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ACÁCIO PIMENTEL SERRA

Posted by ntmad em 15 09 2007

Insigne médico cirurgião, ex-Chefe de Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Santa Maria, é detentor de uma notável carreira médica, tendo sido Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Cascais entre 2003 e 2007, cargo que exerceu com inexcedível zelo e competência e em circunstâncias particularmente difíceis face às condições precárias daquele vetusto estabelecimento.
É também de assinalar a colaboração activa e muito útil que Acácio Pimentel Serra dispensou à Câmara Municipal de Cascais em vários domínios e principalmente no acompanhamento e aconselhamento no que diz respeito ao processo de criação do futuro Hospital de Cascais.

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LANÇAMENTO DO LIVRO DE AUGUSTO ABREU LOPES CEPEDA

Posted by ntmad em 14 09 2007

“PARAGENS DE OUTROS PERCURSOS E NOTAS BIOGRÁFICAS DE UM TRANSMONTANO”

Aos leitores do NTMAD deixo aqui o meu testemunho acerca do lançamento deste livro, ocorrido a 18 de Junho, no Salão Nobre da CTMAD.
Com o Presidente da Assembleia Geral da CTMAD, Tenente-General Alípio Tomé Pinto, na Mesa de Honra e por delegação do Presidente da Direcção proferi, a iniciar, algumas palavras de saudação e de boas-vindas a todos os presentes, referindo a honra que tal participação constituía para a CTMAD.
Sublinhei o facto da CTMAD, na oportunidade, dar mais um passo certo na sua caminhada secular em prol da defesa de alguns dos nossos melhores valores, como sejam, o culto das tradições, o respeito pelas raízes culturais, a dignificação dos que nos antecederam e o estabelecimento de pontes entre o passado que nos foi legado e o porvir que queremos, por tais valores, sustentado.
Realcei a circunstância do livro se enquadrar, também, neste propósito e de se constituir como obra que nos faz ser peregrinos sem deixarmos de ser transmontanos, que nos faz apetecer deambular mas, ao mesmo tempo, regressar ao torrão natal, um livro que nos abre horizontes sem esquecer as referência que nos são comuns.
Tomou então a palavra o Dr. Amadeu José Ferreira, Dig.mo Professor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e ilustre associado da CTMAD o qual, na sua qualidade de apresentador da obra e depois de “corrigir” o Autor de alguma inexactidão ao menorizar, a dialecto, o Mirandês, enalteceu alguns aspectos peculiares da obra, dando ênfase à importância que Augusto Abreu Lopes Cepeda atribuiu, em diversas passagens, às suas origens (radicadas em Argozelo, Vimioso, com alusão reiterada ao ali venerado S. Bartolomeu) e à família (com a suposta ligação a Teresa de Cepeda y Ahumada, Doutora da Igreja, conhecida por Santa Teresa de Ávila). Sublinhou o seu desmedido interesse na valorização e divulgação do nosso património histórico e artístico e valorizou o seu empenhado bem-fazer ao próximo, traduzido em participação activa em diversas e prestigiadas instituições de benemerência.
O Autor, a encerrar, agradeceu emocionado, o generoso acolhimento aqui proporcionado, dirigindo as primeiras palavras ao Presidente da Direcção da nossa Casa Regional, havida como a primeira entre as demais, para referir que tal acolhimento lhe tocara profundamente o coração e lhe tinha feito assaltar felizes recordações.
E disse:
“Subi vezes sem conta as escadas do prédio n.º 20 da R. da Misericórdia, onde então florescia o ânimo dos meus maiores. Até quis festejar ali o meu feliz matrimónio, acontecido, pode dizer-se, há sessenta anos! Encontram-se entre nós alguns dos convivas de então, enquanto que aqueles que nos deixaram estão guardados no meu espírito.
Dois distintos familiares tendo a ver com os meus progenitores, oriundos, respectivamente, de Argozelo e Sendim, emolduraram com a cor do ouro aquilo que trago. Valeram, pois, os respeitáveis sentimentos da família.
Agradeço a todos os que quiseram honrar-me com a sua presença”.
Num significativo acto da mais pura generosidade e de grande amizade quis Augusto Abreu Lopes Cepeda ofertar à CTMAD a totalidade da receita produzida pela venda dos livros entretanto autografados.
Seguiu-se um muito participado jantar –convívio com familiares e amigos que culminou da melhor forma esta bela jornada cultural.

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ANTÓNIO CRAVO

Posted by ntmad em 14 09 2007

António Cravo, nosso associado de Salselas (Macedo de Cavaleiros), escreveu-nos de Paris dando conta da existência de mais uma Casa Regional Transmontana em Pavillons-sous-Bois, nos arredores de Paris, fundada já em 29 de Maio de 1994. Contamos, em breve, dar o devido relevo a esta associação logo que dela recebida informação acerca dos seus objectivos e actividades desenvolvidas.Não queremos, porém, deixar de encomiar este nosso conterrâneo que, embora vivendo a maior parte da sua vida em Paris, não deixa de ser um associado zeloso, cumpridor com as suas obrigações e com a CTMAD no coração.

António Cravo, habilitado com o Curso Superior de Sociologia da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris, condecorado com a Medalha de Ouro da Internacional de Artes e Letras de França, foi o instituidor do Museu Rural de Salselas (que aconselhamos a visitar) e possui notável obra literária da qual destacamos os seus principais títulos: Poesia (“Os desenraizados”; “Vozes dos Emigrantes em França”; “Poemas Rurais”); Conto (“O Drama da Linha do Tua”; “O Regresso”); Sociologia (“Les Portuguais en France et leur Mouvement Associatif”); História (“Subsídios para a História do Teatro Português em França”); Etnologia (“Os Pauliteiros de Salselas”).

Há muito empenhado no associativismo da comunidade portuguesa radicada na região de Paris, tem leccionado para os nossos emigrantes e é colaborador assíduo de jornais de língua portuguesa ali editados.

Por curiosa, deixemos ele próprio testemunhar a história do seu pseudónimo:

“Cravo era a alcunha do velho camponês, pobre e analfabeto, António dos Santos Gonçalves, que passou a ser mais conhecido por António Cravo e que nascera na aldeia de Salselas a 26 de Outubro de 1886.
Esta linda alcunha passou para a família, prendendo-se, indirectamente, com o regicídio do rei D. Carlos I e que eu uso como pseudónimo do meu nome oficial, Jaime António Gonçalves, num acto de homenagem ao velho aldeão, meu avô materno.
Quando o meu avô foi cumprir o seu dever de militar coube-lhe a sorte de ser soldado na cidade de Penafiel. Alistou-se em 1906, ainda no tempo da monarquia em Portugal. Quando se deu o regicídio de D. Carlos (1 de Fevereiro de 1908), o meu avô ainda se encontrava no seu regimento em Penafiel. Então, houve uma ordem de serviço do quartel no sentido de que todas as praças, sargentos e oficiais que quisessem manifestar o luto pela morte do Rei podiam fazê-lo, deixando crescer as barbas ou, simplesmente, o bigode, segundo as informações que me transmitiu o meu avô.
O António foi um daqueles soldados que deixou crescer o bigode. Pouco tempo depois foi licenciado e regressou à sua terra natal, com a pele da cara menos curtida que o habitual pelo sol do campo, mais homem e com um bigode farfalhudo que lhe assentava bem no rosto da juventude. Na chegada à sua aldeia, dirigiu-se pela rua onde ficava, lá no cimo, a casa paterna, com uma varanda e escadas voltadas para essa rua, à maneira típica transmontana. Nessa varanda estava sentada a mãe de António Gonçalves. Dali via-se toda a rua até ao fundo. Quando aquela mãe viu um rapaz pela rua acima perguntou a alguém, que via melhor que ela, quem era aquele rapaz tão “pimpão”. Essa pessoa respondeu-lhe que era o seu filho que chegava da tropa.
A Tia Maria da Neves, mãe de António, desceu as escadas, encaminhou-se pela rua abaixo ao encontro do filho. Quando chegaram um ao pé do outro abraçaram-se, beijaram-se e vendo o filho tão diferente com o belo bigode, pela primeira vez, exclamou cheia de alegria: “Oh meu filho, vens lindo como um cravo!”.
Dali em diante toda aldeia só conhecia o António Cravo, que ressoou pelas aldeias vizinhas. Assim, quando este neto passou a escrever artigos e livros escolheu, então, para pseudónimo aquela alcunha do seu avô como acto profundo do seu reconhecimento, a fim de fazer chegar o mais longe possível o eco espontâneo de uma mãe cheia de amor e de alegria pelo regresso de um filho e porque este jovem “aceitou bem a alcunha, quase como verdadeira condecoração militar”.

A CTMAD espera que António Cravo nos continue a dispensar a sua amizade e atenção pois de tal modo os nossos conterrâneos muito poderão usufruir da sua esclarecida actividade cultural e associativa.

António Cepêda

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2007 – CENTENÁRIO DE MIGUEL TORGA

Posted by ntmad em 14 09 2007

Nasceu em São Martinho de Anta, uma aldeia serrana de Trás-os-Montes, proveniente de uma família de condições humildes. “Pobre pássaro que nasce em ruim ninho”, diria o avô à sua nascença.

Mas, segundo escreve Fernão de Magalhães Gonçalves, estudioso da sua obra, este ser “É uma Força natural, indomada, selvagem”. Essa força leva-o a falar (escrever) da sua terra e de si, como irmão de urzes e fraguedos, numa linguagem indomável, de fidelidade às origens ancestrais, mas que o tornará também universal e intemporal, segundo António Cabral.

Muito galardoado e estudado, Miguel Torga continua a ser um dos escritores mais conhecidos.

E 2007 é o ano de todas as homenagens.

A criança, nascida Adolfo, “regou o milhão” ou segurou o candeeiro de noite para que o pai o fizesse , aprendeu a conduzir a água e aa distribuí-la pelos regos, malhou o centeio e o trigo, viu crescer o pão, pisou o vinho. Em Novembro, trspassado pela geada e pela nortada, debaixo de cargas de chuva, integrava o rancho que todas as manhãs apanhava castanhas de terça, no souto do mercador.

Na adolescência, no Brasil, foi vaqueiro, apanhador de café, laçador de cavalos e caçador de cobras.

De regresso a Portugal, chega a Coimbra em 1924 onde, em pouco tempo, na sua sentida fome de aprender, faz o curso geral dos liceus e 6º e 7º anos do curso complementar. Adolfo Correia Rocha licencia-se em medicina, escolhe a especialidade de otorrinolaringologista e fixa-se em Coimbra.

Convive com grupos intelectuais, escreve e escolhe para si o pseudónimo de Miguel Torga, nome que lhe ficará colado, como uma segunda pele, pelo qual conhecemos a sua obra literária.

Procura captar para a sua obra de prosador, poeta, dramaturgo, o fundamental da experiência de outro ser humano e, também, a sua própria experiência de vida, são transfigurados em actos artísticos pelo seu intenso impulso criador.

Torga é uma raíz encorporada e rija, nascida livre, nas serranias. Miguel Torga afirma-se sempre como homem e intelectual livre, facto que, inevitavelmente, naquele tempo, o levará a ser encerrado no Aljube.

Mas asas da imaginação não se prendem com grades.

Vasta e variada é a obra que nos legou apesar de alguns dos seus livros terem sido apreendidos pela “censura”, designadamente o “Diário VII” e os “Contos da Montanha”, livro este que passaá a editar-se unicamente até 1969.

Também sua mulher, que fora nomeada professora da Faculdade de Letras de Lisboa em 1945, é expulsa desta instituição por ter feito uma chamada especial de exames para alguns alunos grevistas, entre os quais se contavam Urbano Tavares Rodrigues e David Mourão Ferreira.

Em Outubro de 1945, numa entrevista ao “Diário de Lisboa”, Miguel Torga declara “os artistas não constituem uma classe. São livres e mágicos servidores de quem tem a verdade e a história pelo seu lado. Ora a verdade e a história estão, como sempre estiveram, do lado do povo.”

Ler, reler Miguel Torga, é a emoção do reencontro da obra artística na Verdade, na História, no sentido cósmico e no Telúrico.
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Nota: Reflexão, com intertexto, depois ler, de Fernão de Magalhães Gonçalves, o seu livro de ensaio “Ser e Ler Miguel Torga”.

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SUCESSO DE EXPOSIÇÃO DE PINTURA NOS E.U.A.

Posted by ntmad em 13 09 2007

Terminou com êxito , nos Estados Unidos , a itinerância da exposição de Pintura de Balbina Mendes ” Margens Douro , Nascente Foz ” , que durante quase um ano e meio percorreu cidades de Espanha e Portugal , divulgando a beleza , os valores e as tradições dessa região norte da Península Ibérica.
As dezenas de óleos da pintora transmontana estiveram patentes ao público no amplo salão principal da Biblioteca Pública de Newark, a convite da comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal , com os apoios da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e da TAP.
A exposição teve numerosos visitantes de Nova Iorque e de cidades na periferia da grande metrópole americana , que designadamente apreciaram a ligação permanente que a exposição faz com textos de poetas e prosadores espanhóis e portugueses.Relevo especial merecem as visitas de alunos de universidades dos estados de Nova Iorque e New Jersey, acompanhados por professores , nomeadamente alunos de Português , por iniciativa da leitora do Instituto Camões em Nova Iorque , dra. Mónica Pereira.
No decorrer das celebrações do 10 de Junho em Newark, Balbina Mendes foi uma das individualidades distinguidas com uma homenagem que abrangeu algumas figuras públicas portuguesas e americanas.

Alberto Castro

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LANÇADA A "HISTÓRIA DA MISERICÓRDIA DE CHAVES"

Posted by ntmad em 12 09 2007

A vida da actividade assistencial de uma instituição secular

A Santa Casa da Misericórdia de Chaves conta, a partir de agora, com a edição do livro “História da Misericórdia de Chaves”, lançado recentemente. O novo “veículo” de comunicação dedicado à História da sua fundação, desde os primeiros passos datados do século XVIII até aos dias de hoje, representa um dos poucos exemplares no país, a dar a conhecer a vida de uma instituição secular.

São 652 páginas com histórias, fotos, referências ao volume arquivístico da Instituição, registos descritivos do século XVIII do Hospital da Misericórdia, no campo da saúde, passando pela área alimentar, o conceito assistencial de vida, os reflexos das monarquias e repúblicas na vida das misericórdias e todas as mudanças sociais subjacentes.De acordo com a autora, o livro retrata “não tudo, porque ainda ficou muito por dizer, mas muitos dos seus momentos áureos ou de tormenta ao longo dos quase quinhentos anos de vida da Instituição” e de todos os intervenientes que ajudaram a melhor servir o próximo.

Uma viagem “apaixonante” iniciada há alguns anos, cujo projecto da responsabilidade de Maria Isabel Viçoso ganha agora rosto. O livro onde estão historiadas e documentadas páginas da vida de Chaves pretende “dar corpo a um trabalho que evidenciasse a interessante e polifacetada vida da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, dotada de um espírito que sempre procurou proporcionar cuidados assistenciais à sociedade mais carenciada, adaptando-se continuamente à filantropia dos tempos, às circunstâncias e aos novos problemas”, salientou a autora.

Novas valências e equipamentos ganharam vida

A obra de Maria Isabel Viçoso, membro da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, desde 2000, responsável pelo departamento de Património e Cultura pretende “abrir as portas” a um passado da Instituição que ajuda a compreender como ganharam vida outras valências e equipamentos, cada um com a sua história, nomeadamente: a Igreja, o Hospital, a capela do Calvário, a Escola de Artes e Ofícios, a Casa de Anciãos, as valências de Vidago, Vilar de Nantes, o Centro Educacional de Casas dos Montes, a Santa Casa da Misericórdia de Boticas, filha da Santa Casa da Misericórdia de Chaves dando a conhecer à população o “mundo da actividade assistencial no campo da solidariedade social”.

Um facto que mereceu o reconhecimento das pessoas que a acompanharam no passado dia 12 enchendo o auditório do Hotel Forte de São Francisco, em Chaves, aquando da sua apresentação e que contou com o apoio da Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT) como “associação que tem sabido apoiar, dinamizar e desenvolver os valores culturais e tradicionais da região”.

O provedor da Misericórdia de Chaves reconheceu na autora “a vontade pessoal, o rigor histórico, a persistência, o trabalho, o amor à causa da solidariedade e da cultura e acima de tudo o espírito de servir uma causa”, lembrando o papel que a Misericórdia de Chaves detém no contexto nacional e a relevância que assume na sociedade civil, pelo “espírito solidário e a tenacidade” de todas as anteriores mesas administrativas e a luta que ainda hoje é travada em “desafiar preconceitos, enfrentar os desafios das mudanças, inventar novas respostas socais, ser singular nos princípios e inovador na subsidiariedade e na solidariedade”.

A acção desenvolvida nos últimos tempos recorda a efectiva participação da Misericórdia de Chaves na região em que está inserida, estendendo ao longo do tempo o seu raio de actuação, “dar cobertura na rede social do concelho de Chaves, dar corpo aos desafios da formação ao nível inter médio e superior através da participação e criação da Escola Profissional e da Escola Superior de Enfermagem, dar expressão efectiva aos encontros de idosos”. Nuno Rodrigues não deixou de referir ainda a capacidade que instituição possui como “a maior prestadora de serviços sociais do distrito de Vila Real e uma das cinco maiores do norte do país sendo igualmente a maior empregadora privada de Trás-os-Montes e Alto Douro na assistência ao maior número de famílias”.

“Faz parte integrante da cidade, do concelho e da região”

Mas a vida das misericórdias é algo que “fascina” e isto mesmo é o que pretende demonstrar este livro que “se tornará incontornável na história do nosso município”, salientou o presidente do Município de Chaves, João Batista, referindo a propósito que a História da Misericórdia de Chaves é uma parte integrante da História da cidade, do concelho e da região”, pelo enriquecimento que ela representa e acrescenta “à identidade e à dignificação do nosso passado, a transportar para o presente a nossa vontade e capacidade de participação na realização daquilo que queremos”.

Dirigindo-se aos leitores, o professor catedrático da Universidade do Minho, António Manuel de Sousa Fernandes, a quem coube a apresentação da obra alertou para uma sugestão de leitura, dada a “inúmera informação que recolhe, em vez de ser lido como romance ou um livro de História deve ser sobretudo mantido como uma espécie de enciclopédia, onde podem ser feitas pesquisas por datas ou temáticas”.

O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), realçou o contributo e a importância desta obra para a “divulgação do trabalho realizado pelas instituições de solidariedade social”.

Tem sido preocupação da direcção da Misericórdia de Chaves a preservação e o restauro de todo o seu património histórico e cultural. Como forma de dar a conhecê-lo à comunidade esteve patente na antecâmara do auditório, uma exposição que reuniu um conjunto de peças museológicas que fazem parte do acervo da Instituição.

Chaves foi uma das primeiras vilas a aceitar o convite da rainha D. Leonor, fundadora das Misericórdias, quando em 1516 estabelece o primeiro compromisso com a Confraria da Misericórdia de Lisboa, cujo exemplar também fazia parte da mostra.

De referir que a “História da Misericórdia de Chaves” vem juntar-se a outras publicações já editadas sobre a Misericórdia de Chaves. Entre algumas revistas existe a segunda edição do livro “Azulejos da Misericórdia” do Padre António Cerimónias, 1927, “Misericórdias do Distrito de Vila Real, Passado, Presente e Futuro”, 1998 e “Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas” do mesmo ano, dois livros editados através de um protocolo com o Arquivo Distrital de Vila Real e ainda “A Igreja da Misericórdia”, de Maria Isabel Viçoso, de 2001.

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