Notícias de Trás-os-Montes e Alto Douro

Orgão da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa

Archive for Dezembro, 2007

PRESENTES DE NATAL AMARGOS

Posted by ntmad em 29 12 2007

Na véspera da consoada, cerca de duzentas pessoas manifestaram-se em Alijó contra o encerramento, a partir do dia 28 de Dezembro, do SAP durante o período nocturno.

Diz a Câmara Municipal, em comunicado, que a saúde é um bem essencial e, por isso, defende o SAP do Centro de Saúde aberto 24 horas por dia, não admitindo mais uma medida do Governo que, a concretizar-se, prejudicará os interesses do concelho de Alijó e das suas populações.

O presidente da câmara local, Artur Cascarejo, considera que, “se o SAP encerra por ser um serviço sem qualidade, então o Governo tem que criar contrapartidas que, na sua opinião, passam pela criação de uma urgência básica no concelho“.

Na sede do concelho, em Alijó, estamos a 47 quilómetros do hospital de Vila Real mas há aldeias do concelho que estão a mais de uma hora de distância da unidade hospitalar mais próxima“, sustentou.

Esta decisão é para o melhor das populações. Em Anadia e Alijó, os serviços que vão encerrar não reuniam as condições adequadas a um serviço de urgência“, disse à Agência Lusa fonte do ministério da Saúde.

Aos jornalistas, Correia de Campos desvalorizou as críticas do bastonário  em exercício da Ordem dos Médicos que alertou para o  “risco de casos fatais se forem colocadas no terreno ambulâncias e helicópteros de emergência sem um médico”.

Para além do SAP de Alijó, até ao final do ano, fecham, ainda, os SAP de Vila Pouca de Aguiar e Murça, o serviço de urgência da Régua e o bloco de partos de Chaves.

Não se compreendem os motivos para que estes encerramentos não sejam anunciados com a devida antecedência e discutidos e explicados às populações. Os encerramentos anunciados sistematicamente, em cima da data da sua execução, deixam transparecer um exercício autocrático e autista do poder que, quiçá, pretende evitar a reacção dos cidadãos.

Será que a democracia não exige a  participação dos cidadãos  na vida pública, para além dos actos eleitorais?

Não poderiam,  durante um período de transição adequado, os novos sistemas de urgência serem implementados em simultâneo com os antigos, só sendo desactivados quando os novos estivessem a funcionar em pleno ?

Certamente que o Ministério da Saúde vai poupar mais uns euros. Mas à custa de quê ? Da diminuição dos cuidados de saúde da população local, já de si envelhecida, e que tem resistido à diáspora?

“Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses” e “promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional” são tarefas fundamentais do Estado consignadas na Constituição da República Portuguesa.

Não é a reduzir ou a encerrar serviços públicos que se promove a igualdade de direitos dos portugueses.

O facto de um cidadão do interior do país demorar “a priori” muito mais tempo a ser socorrido que um cidadão das grandes cidades, conduz-nos inevitavelmente a existência de duas classes de cidadãos e a que, consequentemente, os “resistentes” sejam forçados, também, a emigrar para as grandes cidades. Mesmo que – como num rebate de consciência – se anunciem incentivos fiscais às empresas (e até aos cidadãos) para que se fixem no interior.

O encerramento descoordenado de serviços de saúde, escolas e outros serviços públicos, potenciado pelo PRACE*, é uma medida que pode reduzir no imediato o deficit das contas públicas –  e mostrar que os decisores políticos nacionais são bons guarda-livros e arautos entusiasmados de Bruxelas – mas nunca será uma medida de política económica consequente e terá custos elevadíssumos a médio e a longo prazo que merecem ser avaliados.

As declarações públicas dos responsáveis pela reforma do Estado vão no sentido do regresso aos primórdios da monarquia, mantendo na Administração Pública central apenas a cobrança de impostos, a segurança, a justiça e a política externa. O resto, como não dá lucro material ou político, reduz-se ou extingue-se. E só haverá serviços do Estado onde houver mais pessoas (e forem rentáveis). Os “oásis” estarão nas grandes cidades.

A ser assim, e com a lógica do deficit a sobrepor-se à lógica dos direitos fundamentais e do bem estar dos cidadãos, é inevitável presumir que os números comandam a política interna e que esta é ditada do exterior. Tal como no tempo de Miguel de Vasconcelos, nos anos que precederam a restauração da independência, em 1640.

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*Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado.

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Editorial de Dezembro 2007

Posted by ntmad em 25 12 2007

Caros amigos e Associados!

Cá estamos nós para mais um Natal e umas boas e merecidas férias do solstício de Inverno sem esquecer as tradicionais prendas que na chaminé e no sapatinho nos esperam a fazer de nós, pelo menos uma vez no ano, a criança que cada um transporta neste ciclo do ser que a existência nos consente e por vezes premeia.

Este ano, mais uma vez renovámos a tradição, fizemos a CEIA DE NATAL, assinalámos a solidariedade que a civilidade nos habituou e cumprimos os antigos hábitos das gentes de aquém e de além Marão o que vale dizer que honrámos os nossos antepassados.

Neste Natal, que é da minha despedida da Direcção da Casa, há que relevar as coisas boas que nestes quase sete anos se fizeram, e muitas foram que as não vamos aqui enumerar, há que salientar os bons contributos que alguns poucos associados deram à Casa, especialmente aqueles mais humildes que abnegadamente estiveram sempre dispostos a colaborar com Casa sem nada pedir ou esperar e há também que lembrar os contratempos que um ou outro associado provocou, mais por mal de ignorância ou perturbação afectiva à CTMAD que de intenção de mal fazer.

A todos, mesmo àqueles que não gostaram do nosso trabalho, o nosso muito obrigado pois foi com todos que a Casa se levantou, readquiriu nova imagem, reforçou o seu conhecido prestígio regionalista e notoriedade cultural e levantou alto o nome da Região e população que representa.

E, se conquistámos estes patamares, há que não descer deles e a nova e divulgada lista de candidatos à Direcção da Casa, assim como os restantes membros dos de mais órgãos sociais, são, quanto a nós, a garantia de que esse desiderato vai perdurar e um dia, que breve há-de ser, haveremos de vê-lo premiado com a tão ambicionada Nova Sede.

E, sem esquecer que se aproximam as eleições, muito importaria que uma ou mais listas concorressem, a par da indicada pela Direcção, que seria, por um lado, um sinal de forte vivência da e na CTMAD, por outro, seria uma prova de amor e garantia de eternidade.

Vamos amigos e associados, formem grupos, alinhem ideias, façam uma candidatura e concorram aos órgãos sociais da CTMAD!

Despeço-me com um abraço e um até sempre porque, saindo da Direcção, não saio da Casa e a ela estarei gostosa e inelutavelmente ligado e dar-lhe-ei os contributos que puder.

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Assembleia Geral Ordinária 18 Janeiro 2008 (sexta-feira)

Posted by ntmad em 25 12 2007

  CONSULTA DE DOCUMENTAÇÃO

Tal como prescreve a alínea c) do n.º 2 do Art.º 7º dos Estatutos da CTMAD, constitui um direito exclusivo dos sócios efectivos no pleno gozo dos seus direitos associativos, examinar os livros, relatórios e contas e respectiva documentação, nos quinze dias que antecedem a Assembleia Geral convocada para a apreciação das contas.

Assim sendo e considerando, igualmente, as disposições adoptadas na Assembleia Geral realizada em 30 de Janeiro de 2007 segundo as quais se deveria dar publicidade a este assunto no nosso jornal, vimos por este meio convidar todos os associados a visitarem-nos, desde já, para consulta da referida documentação em ordem ao seu prévio e devido esclarecimento sobre tal matéria.

Lisboa, 11 de Dezembro de 2007

O Presidente da Direcção

 Nuno Aires, Dr.

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Nota informativa acerca das contribuições das autarquias transmontanas e altodurienses

Posted by ntmad em 25 12 2007

Os associados da CTMAD gostarão de saber a origem de alguns dos poucos proventos que, de uma forma ou de outra, vamos tentando obter.

Assim, esta notícia cinge-se, apenas, ao apoio monetário recebido das autarquias transmontanas e alto durienses ao longo deste ano de 2007 que agora finda e que se traduziu no seguinte:

a) Contribuições de autarquias auferindo a qualidade de “sócio extraordinário (Carrazeda de Ansiães, Sernancelhe e Vinhais)”

 

 750,00 €

b) Contribuições avulsas (Tabuaço e Vila Nova de Foz Côa)

500,00 €

Total:

1.250,00 €

Além destas específicas contribuições, o Município de Montalegre informou-nos que só poderia apoiar acções concretas a requerer, caso a caso, pela CTMAD e o de Santa Marta de Penaguião transmitiu-nos que apenas sustentaria eventuais actividades da CTMAD com ele relacionadas.

Aguardando ainda as respostas de Macedo de Cavaleiros e de Mirandela acerca de subsídios já prometidos mas ainda não concretizados, concluímos informando que todas as restantes 30 autarquias transmontanas e alto durienses não aquiesceram aos pedidos de apoio financeiro oportunamente formulados pela CTMAD.

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Transmontanos em Santarém

Posted by ntmad em 23 12 2007

Realizou-se a 27ª edição do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém onde Transmontanos e Alto Durienses marcaram presença. Presença que já vai sendo uma tradição.

Este Festival é, de facto, o maior evento, e o mais antigo, que se realiza em Portugal, vindo a registar nos últimos 4 anos uma viragem qualitativa, e corajosa, para apresentar as novas tendências da cozinha em Portugal.

Nos permanentes, com prestação diária, registamos a presença dos Restaurantes “O Costa” de Vila Real, “Comeres Barrosões” de Boticas e “Académico” de Bragança. Ainda a doçaria representada pela “Floramêndoa” de Torre de Moncorvo, os vinhos das Cooperativas de Alijó e de Peso da Régua, o Moscatel de Favaios, e os enchidos e outros produtos com o “D. Roberto” de Gimonde.

Devo confessar que o grande sucesso dos restaurantes foi a excelência das carnes Maronesa, Barrosã e Mirandesa. Depois de uma confecção que, por primária, lhe garante a melhor forma de ser apreciada, os clientes voltavam com facilidade e entusiasmo. Devo referir o interesse com que os grandes Chefes de Cozinha, que participavam no Congresso dos Profissionais de Cozinha, me manifestavam os parabéns pela carne que tiveram a oportunidade de degustar e comer. E muitos repetiram. Nada melhor que o simples para ser bom!

No almoço especial preparado pelas Equipas Olímpicas temos a registar o Chefe António Bóia, Chefe da Equipa Júnior e o seu irmão Manuel Bóia que integra a Equipa Sénior. Devo mencionar que esta refeição está a transformar-se num evento muito desejado e apreciado. Para o comprovar lembro apenas que em dois anos consecutivos foi a primeira refeição a esgotar-se na venda.

Ainda sobre o Congresso refiro que teve parte activa o Chefe Hélio Loureiro (de origens transmontanas pelo lado materno), no primeiro painel sobre “Cozinha e Televisão”, seguindo-se o meu amigo Armando Fernandes com uma comunicação sobre “A Modernidade em Bartolomeu Scappi” e eu, Virgílio Gomes, com uma comunicação sobre “Ambientes culinários e Chefes no séc. XX”. Não vou referir os participantes como congressistas para não termos uma lista exaustiva, mas apraz-me registar um número considerável de presenças.

No dia da Região de Turismo do Nordeste Transmontano, a sala estava cheio de transmontano, sendo aqui impossível referir-me a todos. A refeição esteve a cargo do Restaurante “O Geadas” de Bragança que serviu um almoço excelente. Na mesa encontrávamos Pão de Centeio e Trigo, Folar, Alcaparras e Salpicão. Apesar do meu amigo armando Fernandes não achar pertinente a presença do Folar, por estarmos fora da Páscoa, não estou de acordo com ele e disse-lhe. A presença do folar, hoje em dia em Lisboa, é permanente e é uma forma de matar saudades da terra. E olhem que se come folar de alta qualidade.

Seguiram-se uma Repolgas Guisadas com Chouriço, de apetecer repetir. Depois um Caldo de Perdiz. O Polvo Guisado à Transmontana, com Arroz Branco estava perfeito. E eu que tive a oportunidade de o ver descarregar, fresco, e de o ver entrar na panela para começar a cozer…! Seguiu-se uma Posta Mirandesa com Batata a Murro e Legumes, à qual não se podia exigir mais. Para sobremesa um misto de doces com Pudim de Castanhas, Doce de Abóbora, Tarte de Grão-de-Bico, Bola Doce Mirandesa e Marmelos em Calda. Bem, pode dizer-se que era tudo muitos doces. Talvez, mas era dia de festa.

No dia da Região de Turismo do Douro, coube a responsabilidade de execução do almoço ao Restaurante da “Pensão Borges“, de Baião. Segundo a organização tratava-se de um almoço evocativo de Eça de Queirós, com referência a pratos citados na obra “A Cidade e as Serras”.

Na mesa estavam colocadas Pataniscas, Peixinhos da Horta, Presunto, Enchidos, Queijos e Azeitonas. O repasto iniciou-se com um reconfortante Caldo de Galinha com Fígados e Moelas, à moda antiga. Seguiu-se um surpreendente Bacalhau com Pimentos e Grão-de-Bico numa ligação perfeita e de cozedura no ponto. Para continuarmos o Arroz de Favas (como há muito tempo não comia) com Frango Aloirado e Fatias de Presunto da mesma forma. Parecia estarmos a comer numa casa abastada das nossas terras, e confecção das nossas Avós.

Terminámos com uma Sopa Dourada e Salada de Laranjas da Pala.

Parabéns a todos. Apetece escrever: os Transmontanos no seu Melhor!

Para 2008 haverá mais.

 

Bom Apetite!

© Virgílio Gomes

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Lançamento do livro “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”, de Luís Urgais

Posted by ntmad em 23 12 2007

Teve lugar no passado dia 15 de Novembro, na Sede da CTMAD, mais um lançamento – apresentação – de um livro, este da autoria de Luís Urgais (pseudónimo de Luís Manuel de Sousa Peixeira, nosso distinto associado), intitulado “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”.

O acontecimento foi participado por algumas dezenas de associados e amigos do autor tendo, na ocasião, apresentado as boas vindas, em nome da CTMAD, o Vogal da Direcção, António Cepeda que disse:

“É com um sentimento de alegria que dirijo as minhas palavras a toda a audiência.

Desde logo por Luís Urgais ter escolhido a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro para lançar mais um livro de sua autoria, na senda de outros que já publicou, como sejam “Da Mestiçagem à Caboverdianidade”, “Penedono no Contexto da Reconquista” e “Trancosã”. Uma escolha que nos honra e que nos obriga a prosseguir esta ingente tarefa de dar, não só, guarida, mas, principalmente, voz aos transmontanos e altodurienses radicados em Lisboa que, pelas suas qualidades, mereçam ser reconhecidos e valorizados pela comunidade cultural nacional.

Alegria também pela satisfação de ver este nosso conterrâneo, natural de Mozinhos – Souto de Penedono, prosseguir a sua carreira literária a par da que profissional e proficuamente desenvolve no Município de Odivelas. Parafraseando, todos não somos demais para honrar a Região a que afectivamente o coração nos une e por certo, no futuro, com outras obras, o Dr. Luís Peixeira continuará a contribuir para as suas origens serem cada vez mais faladas e realçadas.

O meu contentamento advém ainda de alguma da temática escolhida para o livro que hoje nos ilumina e que muito prezo. Sem liberdade o mundo seria a preto e branco, belo para uns poucos e terrível para tantos outros, procuremos pois que a cor invada as nossas vidas e que o arco-íris jamais deixe de iluminar o Portugal do futuro.

Para apresentar “Do Tempo Da Outra Senhora” convidou o Autor, o Sr. Dr. Manuel Porfírio Varges cuja relevante actividade como Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Odivelas dispensaria, por si só, demais apresentações. Contudo, porque se trata também de outro ilustre conterrâneo, perdoe-se-me a vaidade de evidenciar a sua trajectória profissional pois, assim, de igual modo, se enobrece a casta transmontana e alto duriense.

Natural da Freguesia de Almendra, Concelho de Vila Nova de Foz Côa, cedo veio para Lisboa vindo a licenciar-se, em 1973, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Exerceu inicialmente grande parte da sua actividade na “Marconi” tendo nesta empresa desempenhado funções de elevada responsabilidade

É por essa altura que exerce também actividade como Técnico Superior de Planeamento no “Gabinete de Estudos e Planeamento” da “Direcção-Geral de Transportes Terrestres” e, já depois do 25 de Abril, assegura, como Administrador, a representação do Estado na “UTIC, Sociedade Cooperativa de Transportadores Rodoviários”, à época com mais de 2.500 trabalhadores e apreciável facturação.

O seu contributo à causa pública é bem evidente, desde muito cedo, tendo sido, sucessivamente, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes no 1º Governo Constitucional e autarca na Freguesia da Lapa, em Lisboa e no Município de Loures. Eleito Deputado à Assembleia da República em 1995 ali integra diversas comissões especializadas, passando, a partir de 1999, a presidir à Comissão Instaladora do Novo Município de Odivelas.

Como já referi, o Dr. Manuel Varges está indelevelmente ligado à Cidade de Odivelas por ter sido o primeiro eleito para a sua liderança cargo que exerceu durante um mandato não tendo renovado, infelizmente, a sua candidatura. Podemos contudo, ainda agora, apreciá-lo como professor de Economia Geral na Universidade Sénior de Odivelas.

Vou terminar dando a palavra ao Dr. Manuel Varges para nos falar do livro e do seu autor. A mim resta-me agradecer a presença de ambos nesta casa regional que desejamos vos seja acolhedora e endereçar parabéns ao Dr. Luís Peixeira e à Editora Palimage por fazerem do livro uma bandeira pela qual vale a pena lutar.”

Tomada a palavra, o Dr. Manuel Varges falou do “Do Tempo da Outra Senhora”, um livro de contos contendo ficções de uma época real, em que a ruralidade se cruza com a paisagem urbana numa época que atravessa o tempo entre o fim do Estado Novo e o advento de uma liberdade tão desejada. Nestas páginas se entrecruzam, também, vivências actuais com as vicissitudes de uma sociedade colonial que encarnava a mundividência de um regime obtuso e autista. As mentalidades, no entanto, não mudam repentinamente, e muito do imaginário social de então permanece até aos nossos dias.

Falou igualmente do autor, dos laços de amizade que a ele o unem e da vivência profissional intensa e comummente desenvolvida em Odivelas, tendo-lhe expressado carinhosas saudações e manifestado o muito apreço por mais esta sua notável obra literária.

Por fim, LUÍS URGAIS, agradeceu a todos o generoso apoio que lhe acabava de ser prestado, configurado pela significativa presença dos que ali haviam acorrido. Convidou, por último todos os amigos a degustarem um vinho fino, encerrando-se desta forma mais uma jornada cultural da CTMAD, digna do seu histórico passado.

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QUE MORRA O SILÊNCIO

Posted by ntmad em 20 12 2007

 “QUE MORRA O SILÊNCIO” foi o silêncio que, de algumas vidas de Morais até Lisboa, desventrado ficou com a publicação do romance em título, da autoria de Manuel Moura, conterrâneo e associado da CTMAD de Lisboa e co-fundador da de Faro, militar de Abril, e um amigo de sempre que, sem esquecer, mais uma vez, a terra que o viu nascer, deu-nos o privilégio de nos recordar os idos anos de cinquenta e sessenta e de nos apresentar e prendar com o que, em síntese e à falta de melhor expressão, poderemos designar por romance neo-realista.E dizemos neo-realista porque Manuel Moura, no segundo livro que dá à estampa, utiliza um estilo livre e coloquial, uma linguagem simples e acessível, por vezes regional, ou até local, a lembrar, de quando em vez, Aquilino Ribeiro da nossa Terra Quente ou mesmo Bento da Cruz, da Terra Fria de Montalegre.

Que MORRA O SILENCIO mostra-nos, em jeito e pendor dialéctico, os contrastes entre a cidade e o campo, entre Lisboa e a aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, entre a vida dos pobres camponeses, que designa por Farroupilhas, e os Inchados que, sendo remediados, vivem à sombra dos ricos, que identifica por Engomados.

Com um bom número de personagens constrói um conjunto de pequenas situações novelescas que, com um leve fio condutor, consegue transmitir-lhe a indispensável conexão do romance, de sabor simultaneamente campestre e urbano, de vidas e relações ora proibidas em razão da moral e da religião, ora mesmo coagidas pelo poder económico de um dos personagens mais marcantes do romance que o tornam uma figura detestável, atrevido e sem vergonha, tanto capaz de tirar a esmola na missa como de encarnar o descontrolado libertino a fazer o rente a tudo que tenha saias.

Sem entrar em mais pormenores, para não perder a curiosidade dos leitores, bem se pode dizer “Que Morra o Silencio” se lê com agrado, talvez por duas ou três vezes, pois que o leitor fica preso à procura do que vai suceder a cada um das personagens, nomeadamente à Marilina, ao César Bailão, ao Manuel Rovisco que vão desfilando pelos caminhos de Micacha até ao Monte Ervedeiro, ou mesmo, de Morelos até ao Porto e Lisboa.

Após a apresentação do livro e dos autógrafos do escritor na nossa Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 18 de Outubro último, seguiu-se um delicioso jantar durante o qual houve conversa animada com o autor e sua família.

Esperemos, para breve, novo romance de Manuel Moura!

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VAMOS VISITAR O MUSEU DE ARTE DO SILVA

Posted by ntmad em 20 12 2007

O nosso sócio n.º 2317 – ALBANO TEIXEIRA SILVA visitou-nos, uma vez mais, e deixou expresso um convite, não só à Direcção da CTMAD, como também a todos os demais associados, para uma visita ao “Museu” que, com muito carinho e dedicação, levantou em honra da sua aldeia CIDADELHA DE JALES, concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Tal museu, inserido na Rede Nacional de Museus, sendo uma obra de inegável qualidade e ao qual o autor dedicou todo o seu coração e afecto, bem merece uma visita de todos os transmontanos e alto durienses pelo que o convite aqui fica com indicação da respectiva morada e telefone:

Local : RUA CASAL BRANCO, N.º 39 – 2700-167 AMADORA (na estrada que liga a Pontinha a Caneças, junto ao “Lidl”);

Telefones: Museu: 214 939 330; Móvel: 914 012 519.

A Direcção da CTMAD programará, em 2008, uma visita conjunta ao Museu do Silva, a qual será oportunamente anunciada no nosso jornal para que, desse modo, a ela se possam associar todos quantos assim o desejarem.

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O MAGUSTO DA CTMAD – Grande euforia e grande festa 2007

Posted by ntmad em 17 12 2007

Aconteceu no dia 18/11/2007. Foi muito concorrido e tudo se desenrolou como estava previsto no Externato Marista de Lisboa, que mais uma vez nos disponibilizou gratuitamente as suas excelentes instalações, que desde já agradecemos.
Pela manhã apareceram bem cedo os expositores. Marcaram os lugares, expuseram os produtos e fizeram os planos de trabalho para o dia todo. Estiveram presentes: Pastelaria Nilde de Lisboa, Enchidos Angelina, Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, Os Genuínos Pastéis de Chaves, Ribeira dos Moinhos – Fumeiro Regional do Jorge de Vinhais, Maria Cândida Mourão Carvalho (A Rolinha de Moncorvo), Mário Fernandes- Franquimel, Panificadora Moutinho, Ancestral Transmontana – Fumeiros, Padaria Fontoura, Azeites Rosmaninho e Vinhos de Valpaços, Casa da Amoreira de Canavezes Valpaços, Doces de Basto -Atei – Mondim de Basto, Enchidos Aurélios – Vinhais – Rebordelo e Frutemonte de Carrazedo de Montenegro. Eram muitos e todos venderam bem, segundo informações colhidas no local. À primeira vista eram expositores a mais, mas todos ficaram contentes e isso é o que mais importa na circunstância.

O dia esteve convidativo e as pessoas compareceram em grande número para conviver, comprar, divertir-se e encontrarem aquele bocadinho da sua terra natal, onde estão as raízes e uma boa parte das suas vidas. A mística transmontana veio ao de cima e o calor das pessoas aqueceu fortemente o ambiente que se criou. Para tal contribuíram em grande os acordeonistas, comandados, convidados e dirigidos pelo Senhor Germano de Padornelos, do concelho de Montalegre. Os outros eram o Sr. João Miranda, o Sr. António Lopes e o Sr. Joaquim Ramos. Esteve com eles ainda a tocar castanholas o Sr. Isidro de Miranda do Douro. Tocaram e puseram toda a gente a dançar cerca de uma hora e tal e só pararam a pedido, pois estava o Grupo Maranus para actuar também na mesma festa. Os acordeões mexiam na nossa identidade,  produziam electricidade no corpo e fizeram-nos vibrar até ao mais fundo da alma… Embalados não dávamos pelo tempo a passar. Grande reportório, muita garra e estonteante animação. Obrigado, acordeonistas por tanta coisa maravilhosa que nos fizeram recordar.  Veio o lanche e chegou depois o Maranus que continuou a animar a festa até ao entrar da noite, com as músicas do seu vasto e bem recheado menu.´

O lanche ou merenda, como se diz pelos nossos lados, correu bem. Apesar de um ou outro senão, inevitável nas circunstâncias em que nos encontramos, podemos dizer que Trás-os-Montes esteve em Lisboa a mostrar os seus produtos, a sua alma e os seus valores. Foi um dia de festa, felicidade e grande alegria… Estão todos de parabéns.

Porque valeu a pena vamos continuar. Vamos fazer mais festas e vamos chamar os amigos para virem também ajudar à maneira de cada um.

Resta agradecer em primeiro lugar aos Irmãos Maristas, em especial ao Irmão Pedrinho, Irmão Francisco, irmão Domingos e a todos os outros e pedir desculpa pela perturbação que lhes provocámos.

Depois agradecemos também ao Sr. Amâncio que nos abriu as portas e à Sra. D. Gracinda que nos  garantiu o bar aberto para o café e outras comezainas. Aos elementos da Direcção que ali estiveram a pé firme desde manhã  até à noite, dando o seu melhor em trabalho e dedicação, com especial referência às equipas do Manuel Martins e Manuel  Ferreira e um agradecimento muito especial ao Sr. Egídio.

Aos que compareceram à festa por serem transmontanos ou somente amigos o nosso sincero obrigado. Aos transmontanodurienses que deixaram de aparecer ou porque não puderam de jeito nenhum, ou porque se esqueceram, ou simplesmente porque não querem nem se importam, quero dizer-lhes que a vida tem de continuar em frente e que continuamos à espera deles. Com certeza temos muito para dar uns aos outros e todos juntos nunca somos demais para defender o que temos de melhor -o berço e a raiz.

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Pobre!…

Posted by ntmad em 15 12 2007

Sou dono do tempo, do infinito e do etéreo espaço,
De tudo ou de nada, de quanto só me rodeia!…
Das nuvens e ventos, das águias, da Lua Cheia,
Do Sol brilhante, de tudo que faço e não faço!… 

Sou dono da chuva, da neve, dos indómitos temporais,
Das estrelas cintilantes, que brilham na noite escura,
De toda a natureza, das serranias cinza ou de verdura,
Do cântico dos melros que pululam nos choupais!… 

Sou dono só de mim!… vivo a par com a saudade
Que me tempera os dias, amenizando os sofrimentos,
Me erguendo o olhar para lá do mar!… só para te ver!… 

Sou dono só de mim!… companheiro irmão da Liberdade!…
No meu peito florescem de fogo e nobres os sentimentos,
Regados com sorrisos de alma, que olhos teimam em esconder!…   

José Agostinho Fins
Agrochão – Vinhais

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